“Em Portugal morre-se mal e os deputados perceberam isso”

José Maria Duque, porta-voz da campanha “Toda a Vida tem Dignidade” e coordenador dos protestos anti-eutanásia, considera que os deputados “perceberam que havia uma vontade popular e social contra a eutanásia”.

Os projectos de lei apresentados por PS, PAN, BE e PEV sobre a despenalização da eutanásia foi chumbada pelo Parlamento, esta terça-feira. O membro da Federação Portuguesa pela Vida José Maria Duque, porta-voz da campanha “Toda a Vida tem Dignidade”, que coordenou os protestos em frente ao Parlamento esta terça-feira, considera que “houve deputados que perceberam que havia uma vontade popular e social contra a eutanásia”.

“O país (e os deputados) acordaram para a realidade de que em em Portugal morre-se mal. Sem cuidados paliativos, sem acompanhamentos. Depois deste chumbo, é a altura ideal para os que votaram (tanto contra e como a favor) não encerrarem a conversa e desenvolverem acções para que os doentes possam ter cuidados paliativos”, diz à SÁBADO. “Matar não é o caminho. O que é importante é ajudar as pessoas a verdadeiramente morrerem bem em Portugal”, acrescenta.

As mudanças de voto de deputados do PSD, que tinham anunciado que estavam a favor da despenalização da eutanásia, foram decisivas para o chumbo parlamentar. José Maria Duque acredita que “o peso das manifestações, vigílias e tomada de posição de especialistas e bastonários influenciou a opinião dos deputados”.

Recorde-se que a despenalização da eutanásia foi chumbada pelo Parlamento, esta terça-feira. A maioria dos deputados não deu “sim” a nenhum dos projectos de lei apresentados por PS, PAN, BE e PEV. As propostas foram votadas por 229 dos 230 deputados, faltando apenas um deputado na bancada social-democrata, o parlamentar Rui Silva.

O projecto do PS com 115 votos contra, 110 a favor e 4 abstenções. O do BE com 117 contra, 104 a favor e oito abstenções. O do PEV com 117 contra, 104 a favor e oito abstenções. O do PAN com 116 contra, 102 a favor e 11 abstenções.